quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ciúmes de você...

Eu me mordo de ciúmes. Confesso, arranco pedaços de mim mesma por causa dessa porcaria. Mas como sou a princesa do reino dos "passivo-agressivos" *, sou orgulhosa o bastante para não demonstrar, e às vezes até rir e debochar, enquanto me mastigo por dentro. Mas sabe o que acontece? Por quê as pessoas têm passado? Não seria muito mais fácil se o mundo começasse no momento em que elas se conhecessem?

Lidar com ex-caso, ex-mulher, ex-namorada, ex-amiga safada é muito chato! Saber que a pessoa que você ama já amou outra é dose! Pior, saber que essa pessoa foi feliz antes de te conhecer é insuportável!

Não, ele não sabia o que era um sentimento verdadeiro antes de você. Ele não tinha idéia do quanto é bom dormir abraçado com alguém à noite toda, antes de você aparecer na cama dele. Ele simplesmente não tinha vida pré-namoro! Ele estava preso em uma cápsula do tempo, alimentado por tubos e aquecido por raios infravermelhos não nocivos à saúde. Ele ficava em casa, lendo livros e mais livros sábado à noite. Ele visitava asilos na sexta. Ele ia ao bar com o pai e o irmãozinho mais novo ver o clássico carioca no domingo. Ele não existia. E ponto final.

Querida, ele existia. E devia aprontar muito por aí. E não faz essa cara não. Porque a senhorita também aprontou muito das suas. Lembra aquela vez que você resolveu subir no palco da boate de saia e rebolar até o chão, só porque tinha bebido um pouco além da conta? E aquela vez que você transou de primeira com um cara que tinha acabado de conhecer, só porque precisava de um pau amigo?

Você também não é santa. Ele menos ainda. Dois seres que se forem analisados, não merecem a menor confiança. Mas vocês se amam, e é isso que importa. Agora, se aquela amiga/ex caso sem vergonha e oferecida dele aparecer, toda insinuante, me chama que eu te ajudo a acabar com a vida dela.



*passivo-agressivos – As pessoas passivo-agressivas são daquele tipo que interiorizam todo o sentimento de raiva, ciúme e afins dentro de si. Você sabe que elas estão chateadas, elas até afirmam que estão chateadas se você perguntar, mas elas nunca vão dizer qual é o motivo. Você deve descobrir. Afinal, foi você quem fez a besteira, então tem que por a mão na consciência e repensar suas atitudes. E se pedir desculpas pelo motivo errado, vai piorar a sua situação. Então pensa bem, pensa direitinho... (sim, para lidar com pessoas passivo-agressivas você deve ter um pouco de mediunidade)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Surtos de Uma jovem Senhora II - O aniversário

Chega um certo ponto da sua vida em que comemorar aniversários não é mais tão legal. Por vários motivos. Primeiro, nenhum aniversário é tão esperado quanto os sonhados 18 anos. Afinal, com 18 anos tudo é muito melhor. Começa a dirigir, está na faculdade e mais, as chances de passar vergonha na porta da boate por causa da carteira falsa desaparecem! O segundo motivo é porque depois de uma certa idade, você não espera mais por aquele presente bacana que você só ganharia no completar das primaveras. Agora você trabalha, e tem dinheiro para comprar qualquer coisa que você queira. Então, a menos que você queira uma Mercedez, com um esforcinho você consegue.

Mas quando você faz 24 anos, o que você tem para comemorar? Bom, eu descobri no sábado passado que você celebra o início da sua decadência. Vou contar para vocês. Marquei com alguns amigos uma noitada, que começaria em um barzinho, e estenderia até uma boate. O plano era dançar até o amanhecer, e ver o sol nascendo. Bom, esse ERA o plano. Cheguei, com uma hora de atraso no bar. Bebi três chopps. Até então, tudo corria bem. Estava com um pouco de sono, afinal, já eram 22:40. Opa, primeiro erro de uma sucessão. Não eram nem 11h da noite de sábado e eu já estava com sono? É isso mesmo.

Continuando. Fui para a fila da boate. Uma fila enorme, na chuva. Ai eu percebi que agora, o meu problema com as filas da night não é mais esperar para entrar. Porque às vezes eu até me divertia, conversava com alguém interessante, essas coisas. Mas agora eu penso: "Se eu ficar em pé por mais de meia hora, eu não vou aguentar dançar lá dentro por muito tempo. Fato." Só que Deus foi muito legal comigo, e como eu era aniversariante, não peguei a fila.

Enquanto meus amigos não entravam, me direcionei ao bar. Pedi uma Cuba Libre, que por si só, já é bebida de velho. Mas dá onda, e é isso que importa. Bom, a pista só abria meia-noite. Logo, uma hora esperando em pé, para dançar. É obvio que quando a pista abriu, eu já estava cansada. Porque 24 anos cansa. A pista abriu, e a boate superlotou. Você começa a perceber que o esbarra-esbarra não é legal, dá calor e você ainda corre o risco sério de levar uma pisada de pé.
Enfim, como diz David Bowie,"let´s dance!" Nossa, como dancei, como suei. Mas alguma coisa aconteceu. Essa coisa se chama joelho. E eu percebi que a idade realmente estava batendo à minha porta. Alguém consegue descrever qual é a sensação de rebolar até o chão e travar na hora de subir? Humilhante. Principalmente quando sua amiga de 20, já subiu e desceu duas vezes!!!

E então, o que eu fiz? Tirei o sapato! Deveria ser o micro salto que eu estava usando. Nessa altura eu já estava completamente bêbada. Tinha tomado três chopps e duas cubas. Nunca pensei que fosse tão fraca. Mesmo assim, continuei na luta. Bebendo água atrás de água para hidratar, evitando passinhos que exijiam muitos movimentos. Quase o Will Smith em "Hitch, o conselheiro amoroso". Bracinhos no ângulo de 90º, de um lado, para o outro, delicadamente. Mesmo porque, quando começou a tocar "funk velho", eu percebi que eu dancei muito esses funks na adolescência. E pior, ainda lembro das coreografias.

Foi aí que os meus amigos, da mesma idade que eu, começaram a ir embora. Não, não foi por vergonha de mim, não. Foi simplesmente porque eles resolveram jogar a toalha. Mas eu não iria! eu ficaria até o fim. Mas estava tãããooo cansada. Aguentei o máximo que eu pude. Quando cheguei no ápice do meu cansaço, pensei: "Nossa, estou tão cansada, deve ser mega tarde!" ERAM DUAS HORAS DA MANHÃ!

Me obriguei a ficar por pelo menos mais uma hora. Fui pagar a conta, fui no banheiro, dancei mais um pouco e quando percebi, eram 3:30. Cheguei no meu limite. Monobloco era a deixa. Fui para a minha casinha. Tomei meu banho e fui dormir. Queria acordar cedo, para aproveitar o dia. Pois é, acordei duas horas da tarde, sorumbática, arrastada, pesada e manca. Sim, eu estava mancando! Com dores no pé, no quadril, no joelho, nos braços, bom, piscar doía. Eu tremia!
Aprendizado, apogeu e decadência. Mas apesar de tudo, adorei meu anivesário. Foi muito divertido. Mas acho que ano que vem, vou comemorar em um barzinho.

p.s: Depois de tudo, resolvi entrar na academia. Sem rebolar até o chão, não sou ninguém.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Dedo Podre Futebol Clube

Ahhh o dedo podre… nove entre 10 amigas minhas tem o famoso dedo podre. Aquele maldito dedo indicador, que é capaz de te colocar na frente de cem homens, e você escolher o único que não presta! Nunca duvide do poder do dedo podre. Ele é além da compreensão humana.
Dedo podre não é azar. Dedo podre não é coincidência. Dedo podre é um estilo de vida. E não adianta tentar arrancar, você mulher desesperada que tem um dedinho desses. Ele cresce de novo. Como rabo de lagartixa.

Já tentei varias táticas para me livrar do dedo podre. No começo, tentava descobrir se eu tinha algum padrão pré estabelecido, para tentar fugir. Fui pelo mais fácil. Aparência. Descobri que escolhia sempre o mesmo tipo físico. O que eu fiz? De tatuados rebeldes, passei para os meninos hippies. Deu errado. Ai passei para os certinhos. Mais uma vez bola fora. Eureca! Estou escolhendo estilos diferentes, mas sempre bonitos. Agora eu quero os feios. Esse era o meu nível de desespero. Sabem o que aconteceu? Não deu certo! Lógico que não. Porque não era uma questão de aparência, e sim de atitude. Eu só gostava daqueles caras misteriosos, que carregavam um ponto de interrogação no olhar. Só que a lerda aqui não percebeu que, se tem um mistério escondido, é porque boa coisa não é. E nunca era.

Ai passei para os homens mais velhos. Eu era muito criança para eles. Tentei os mais novos. Eu era muito adulta. Tentei os pobres. Eu era muito rica. Tentei os ricos. Eles eram muito esnobes. Tentei não tentar mais.

Foi difícil, afinal mulher com dedo podre pode ser gorda, magra, feia, bonita, qualquer coisa. Mas essa característica todas têm em comum. Não sabemos ser escolhidas. Sempre queremos escolher.

Só que você, mulher com dedo podre, vai me entender agora. Mesmo quando a gente não quer ninguém, o dedo podre age como um imã, atraindo o produto reprovado pelo Inmetro. E ele chega. Você se surpreende e pensa: Bom, esse eu não escolhi, ele veio atrás de mim, então a probabilidade de dar certo é muito maior.

Jamais pense assim companheira. Porque como já disse, o dedo podre é muito poderoso. Você dá a chance, e acaba mal. Você fica dias achando que a culpa é sua, que a culpa é dele, mas acredite, a culpa não é de ninguém. A culpa é da maldição do dedo podre!

Surtos de uma Jovem Senhora

Prestes a fazer 24 anos.Meu Deus, como passou rápido! Eu me lembro dos meus 18 anos como se fosse ontem. Não me lembro muito bem como eu comemorei, mas enfim, isso não importa. O que importa é que eu estou com a sensação de que eu fui roubada. Descaradamente roubada pelo tempo. Como seis anos passam assim, sem eu nem notar?

Alguém tem idéia de que daqui a um ano eu vou ser liberada para usar creme anti-rugas? Sabe quando eu me preocupei de verdade com as rugas? Nunca! Sabia que elas poderiam eventualmente aparecer, mas em um tempo muito, muito distante. Daqui há humm, SEIS ANOS! Como seis anos vão embora tão rápido?

Bom, em seis anos contabilizei quatro namoros. Oito empregos. Zilhões de maços de cigarro. Urlhiões de noites mal dormidas. E só R$50 em produtos para a pele. E como Carlos Drummond, eu pergunto: "E agora, José?". José me responde como parar o tempo! Para alguma coisa você deve servir, afinal, a festa já acabou há muito tempo!

Em seis anos eu entrei e terminei a faculdade. Realizei meu primeiro sonho/meta. Ser Jornalista. E só de pensar que eu vou fazer 24 anos, e ainda não cheguei nem na base da montanha que pretendo escalar, me dá desespero.

Eu vou fazer 24 anos. Isso significa que eu tenho apenas mais seis anos para ser bem sucedida na carreira e arranjar um marido. Eu preciso estar casada e rica aos 30 anos. Porque essa era a minha meta, quando eu fiz 18 anos. Eu estou na metade do prazo, e só no começo do caminho. Paranóias, paranóias, paranóias!

Seis anos. Eu só tenho mais seis anos. Isso se as calotas polares não derreterem antes disso. O que não seria má idéia, caso eu faca 30 anos e não veja meu nome em algum lugar que não seja a lista de alguma boate.

Mas como burlar o tempo? Eu desperdicei seis anos assim, piscando o olho! E foi piscando o maldito olho que eu ganhei rugas! Amaldiçoados sejam os pés de galinha! Eu não quero envelhecer! Simplesmente não quero! Cadê o Peter Pan? Peter, gatinho, tô aí, cara! Me leva para a Terra do Nunca, por favor! E que não seja a do Michael Jackson. Porque eu tenho um pouco de medo dele.

Enfim, brincadeiras a parte. É chato envelhecer. Dá medo, muito medo. Principalmente quando você tem metas, como eu tenho. Eu queria fazer tantas coisas, e parece que cada ano que passa, as oportunidades de realizá-las diminuem.

Eu sei exagerada, catastrófica, apocalíptica. Mas também assustada, receosa e sob pressão. Imposta por mim. Ai, chega! 24 anos, vem logo, para eu saber como lidar com você!